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Será minha bandeira vermelha?

Cláudia Samuel Kessler 23 de julho de 2020

Vermelho no bindi da indiana casada,
Na cor escarlate, rubi, colorada.
Na bandeira do mar, alerta o perigo.
Na arbitragem, pune como castigo.

Nos semáforos, previne a colisão.
Nos batons e bordéis, símbolo de sedução.
Na caneta docente, marca da incorreção.
Nas bandeiras políticas, fonte de tensão.

Sei que é incomum misturar futebol e menstruação
O vermelho carrega muito significado,
Sangue interditado,
marca de impureza, de não fecundação.

Mas se o vermelho não chegar no gramado,
chegará nos holofotes, palanques ou senado?
Rosa presa em redoma? Vinho reservado?
Longe do olhar público, consumido no privado.
Chegará a ser fonte da própria revolução?


*Minha solidariedade às jogadoras colombianas, às haitianas e tantas outras que possam ter sofrido assédio na prática esportiva.

Cláudia Kessler

Jornalista e cientista social. Doutora em Antropologia Social (UFRGS).

Como citar

KESSLER, Cláudia Samuel. Será minha bandeira vermelha?. Ludopédio, São Paulo, , 2020.
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