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Futebol nas categorias de base: antes do campo, a quadra?

Anselmo Munir

Em tempos de quarentena e das 24 horas por dia ocupadas em casa (àqueles que assim podem permanecer), temos na palma da mão uma possibilidade de entretenimento cheia de opções: uma televisão. Sim, no celular. Não me refiro aos aplicativos de streaming dos canais televisivos, mas das famosas lives – e não são poucas. De (quase) tudo – suponho –, feita e acompanhada por muitos. Afinal de contas, gostando delas ou não, estamos falando de uma espécie de companhia durante a pandemia. Enfim, papo para outra hora. Elas estão por todo lado, em diferentes plataformas. Mas foi no Instagram que peguei uma resenha do craque Falcão, das quadras, falando sobre a ideia de incluir o futsal na formação das categorias de base do futebol de campo, a ser explorado até meados do sub-15, mais ou menos.

A conversa era com o Ronaldo (o Fenômeno). Ele, que é proprietário do Real Valladolid, pretende levar a iniciativa para o clube espanhol. Juninho Pernambuco e Edu Gaspar, gestores do Lyon (da França) e do Arsenal (da Inglaterra), respectivamente, são outros interessados no plano.

Ouvi atentamente todos os argumentos e como cada detalhe justifica o enredo. Curiosamente, no texto recente sobre a FIFA autorizar até 5 substituições no retorno do calendário do futebol, falei sobre a intensidade das quadras, de como esse recurso ajudaria na manutenção do ritmo do jogo no gramado, na preparação e na saúde dos atletas.

+ E se permanecesse assim? FIFA permite mais substituições para o retorno do futebol

Além do ímpeto dos jogadores, o futsal envolve todo o time, a todo o momento, na maioria das jogadas. Toda a “solidariedade” da divisão de funções entre uma equipe dentro do campo é vista com maior frequência no salão, porque o espaço para trabalhar é menor, o que aumenta a necessidade em acelerar a movimentação para abrir espaço na defesa adversária.

Em um vídeo de 2019, Falcão destaca, no desenvolvimento desses jovens atletas, a evolução natural dos fundamentos, uma vez que a participação nas jogadas dentro de uma área menor é mais frequente, facilitando o entrosamento com a bola. Ou minimamente aumentando as oportunidades para esse crescimento.

Algo semelhante trabalhado entre alguns profissionais para atingir esse objetivo é o Campo Reduzido, alternativa em que o treinador, como o nome da atividade sugere, diminui o espaço de trabalho para, assim, provocar o raciocínio rápido. Prova recente desse recurso aqui pertinho da gente é Fernando Diniz, adepto da prática. De um jeito ou de outro, estimular nas categorias de base essa dinâmica não só parece enriquecer a formação, como traz esperança e traços nostálgicos.

Nomes como o próprio Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Neymar, por exemplo, são crias da quadra. Obviamente outros profissionais fizeram esse trajeto, mas apenas para exemplificar como características desenvolvidas por eles no passado podem interferir na transformação de um personagem diferenciado no futuro, com a identidade do futebol brasileiro.

Assim, para finalizar e registrar o assunto deixo esse emblemático comercial da Nike, produzido em meados de 2005. Com a magia do melhor jogador do mundo na época, para aprecio e incremento da discussão.

Valeu. Tamo junto!

 

Perfis no Instagram: @anselmomunir | @papodebancada


Referências

Globo Esporte. Falcão defende Futsal nas Categorias de Base do Futebol.

Globo Esporte. Falcão fala com Ronaldo sobre projeto de incluir Futsal nas Categorias de Base do Futebol.

Universidade do Futebol. Treinamento em campo reduzido.

Globo Esporte. Ronaldo, proprietário do Real Valladolid.

Como citar

MUNIR, Anselmo. Futebol nas categorias de base: antes do campo, a quadra?. Ludopédio, São Paulo, v. 132, n. 21, 2020.