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Nosso futebol de volta ao normal

Anselmo Munir

Os números da pandemia não declinaram e a contagem de vítimas fatais ultrapassa a lotação máxima do Maracanã. Diante disso, os campeonatos estaduais retomaram suas atividades para concluir as fases finais. Falta pouco para o início das competições nacionais. Nosso futebol está de volta ao normal. Seja ao velho ou ao novo. Mas afinal, como identificá-los?

Como esse jogo nos faz falta. Nas noites de quarta-feira, nas tardes de domingo. Em todas as variações de horário. Não tem hora, não tem lugar, a gente sabe. Más há meses nossa realidade mudou. O futebol não é mais uma atividade frequente nas ruas do país.

Toda a crise plantada pelo vírus deixa marcas sem perspectiva de alívio. Como seguimos nossas vidas enquanto a ciência trabalha por um antídoto contra esse veneno?

Obviamente, como em toda discussão, opiniões divergentes virão. Nessa troca de perspectivas podemos, em tese, encontrar uma negociação sustentável para todos.

Qual é o tal novo normal? Seguir os mesmos hábitos de antes, mas agora com uma máscara no rosto?

futebol durante a pandemia

Futebol na pandemia. Foto: Pixabay.

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Pois bem, sair às ruas da mesma forma como fazíamos anteriormente parece uma opção inviável. Até por isso vemos em alguns segmentos, por exemplo, discussões sobre a sustentação de home office mesmo após a pandemia. Uma ótima saída para aqueles com essa possibilidade de flexibilização.

Quantos comportamentos conseguimos questionar nesse período? Quantas vezes conseguimos colocar esse questionamento em prática?

Cobiçamos novas práticas, novas maneiras de tocar o barco de forma segura. Na levada de enxergar o copo meio cheio e não meio vazio, é ótimo ver o retorno do esporte diante de tanta instabilidade. Assim como é uma pena acompanhar sua volta pelo mesmo motivo, com toda falta de confiança e desgoverno de algumas autoridades.

É um alívio poder compartilhar a preocupação com a rodada novamente, ter uma distração. Mas igualmente agoniante ver as arquibancadas vazias. Esporte sem torcida é incompleto, embora seja a única opção, aparentemente, para mantê-lo vivo. Desse jeito mesmo, literalmente falando, tanto em corpo e alma, como financeiramente.

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Gostaria de ver outras escolhas para o sustento das categorias que não fosse o retorno das atividades. Infelizmente não consigo pensar em nada diferente dentro das circunstâncias.

Se temos uma situação difícil de administrar dentro de um ambiente com um maior leque de possibilidades e recursos econômicos, pense só dentro de realidades mais limitadas. Nas categorias de base, nas escolinhas. Em outros esportes…

Enquanto seguimos nossas vidas e tentamos nos manter dentro do jogo, a calculadora de casos dessa doença não para de trabalhar. Um placar injusto e cruel, que não podemos desistir de reverter. A diferença é que o prejuízo dessa partida é irrecuperável.

Fato é que nosso futebol está de volta ao normal. Mas qual normal? Possivelmente estejamos todos atrás dessa resposta. Tão importante quanto identificá-lo, ou até mais primordial, é tentar entender como transformaremos esse período em soluções para um futuro mais sustentável. Para o esporte e para o mundo.

Valeu. Tamo junto!


Como citar

MUNIR, Anselmo. Nosso futebol de volta ao normal. Ludopédio, São Paulo, v. 134, n. 17, 2020.