A outra razão: a filosofia da troca e do poder nas narrativas dos dirigentes de futebol

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A outra razão: a filosofia da troca e do poder nas narrativas dos dirigentes de futebol

Tema

Congresso

Área de concentração

Antropologia

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13

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Resumo

No ano passado, tive a oportunidade de realizar um conjunto significativo de entrevistas com os dirigentes de futebol, em especial com os antigos presidentes do Clube de Regatas do Flamengo e do Fluminense Futebol Clube. Com as entrevistas, eu tentava reconstituir a visão de mundo destes grupos, a maneira e a forma através das quais estes imaginavam e representavam a política. Num sentido mais geral, pude observar que, nestes relatos, a política era imaginada em torno dos eixos centrais do sacrifício e do valor honorífico em relação ao grupo, isso porque privilegiava-se na narrativa era o dispêndio que se fazia "desinteressadamente" em prol do clube. Esta narrativas contrastavam vivamente com as representações cotidianas veiculadas nos media em torno dos dirigentes do futebol ("os cartolas"), que, grosso modo, o apresentam como "interessados" em levar algum tipo de vantagem do esporte. Dessa forma, lançando mão dos problemas teóricos da antropologia, cruzando à abordagem metodológica em História Oral, observei como estas representações deveriam ser aproximadas à análise do paradigma do dom e da dádiva, situado (como observou Alain Caillé) entre o interesse e o desinteresse (amento). Por outro lado, observaria diferenças significativas entre os próprios dirigentes, de modo que era impossível falar em tipo
único de cartola, mas cartolas no plural, porque representavam segmentos sociais diversos, no que chamei (com Marshal Sahlins) de estilos de direção.

Palavras-chave: trocas-dádiva, presidentes de futebol, espetacularizaçãoesporte.

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