Futebóis – da horizontalidade epistemológica à diversidade política

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ISSN 2526-4494
Dossiê: Futebóis

Futebóis – da horizontalidade epistemológica à diversidade política

Periódico / Revista

FuLiA / UFMG

Número

n. 3

Volume

v. 3

Tema

Dossiê: Futebóis

Páginas

p. 37-66

Cidade

Belo Horizonte

Arquivos

Resumo

Este ensaio tem por objetivo recuperar o contexto no qual o conceito de “futebóis” foi forjado e de pensar seus usos possíveis no presente e no futuro dos estudos esportivos. Primeiramente, argumento que o conceito foi usado em um momento no qual a produção em ciências sociais sobre a temática esportiva encontrava-se em expansão, procurando se estabelecer enquanto um polo discursivo próprio. Sugiro que, naquela ocasião, a noção de futebóis objetivava promover uma horizontalidade epistemológica, não devendo as ciências sociais se aterem ao futebol de espetáculo. Atualmente nos encontramos noutro contexto, marcado pela contestação da proeminência androcêntrica e pela renovação do campo, sob diferentes aspectos. Se há duas décadas a noção de “futebóis” ajudou a perceber o amplo espectro de práticas futebolísticas pesquisáveis, nota-se no presente uma mobilização crítica no sentido de discutir as implicações políticas que perpassam a definição de temas e as formas de dialogar com certos movimentos esportivos e políticos que defendem as práticas não hegemônicas. Sugiro que esta mudança de perspectiva está em curso – atestada, por exemplo, pelo interesse notável pelo futebol de mulheres – e tem a ver também com mudanças ocorridas no futebol de espetáculo, as quais contribuíram para afastá-lo das classes populares, razão principal pela qual o futebol tornou-se um tema legítimo – ainda que periférico – no campo das ciências sociais brasileiras.

PALAVRAS-CHAVES: Futebóis; Estudos esportivos; Diversidade; Política; Futebol de mulheres.

Abstract

This essay aims to recover the context in which the concept of "footballs" was forged and to think of their possible uses in the present and future of sports studies. Firstly, I argue that the concept was used at a time when social science production on the sport theme was expanding, seeking to establish itself as a discursive pole of its own. I suggest that, at that time, the notion of footballs was intended to promote an epistemological horizontality, and the social sciences should not be attached to spectacle football. We are now in another context, marked by the challenge of androcentric prominence and the renewal of the field of research, under different aspects. If the notion of "footballs" helped to understand the wide range of searchable football practices for two decades, a critical mobilization is now being made in order to discuss the political implications of defining themes and ways of talking to certain movements sports and politicians who defend non-hegemonic practices. I suggest that this change of perspective is under way – attested, for example, by the remarkable interest in women's football – and it has to do with changes in spectacle football, which have helped to keep it away from the popular classes, which football has become a legitimate – although not very prestigious – subject in the field of Brazilian social sciences.

KEYWORDS: Footballs; Sports Studies; Diversity; Politics; Women's Football

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